O Home Care, ou Atenção Domiciliar (AD), é indicado a pacientes em condição de receber em casa cuidados de saúde, pois estão com um quadro clínico estável e já não precisam mais de todos os recursos hospitalares. Cabe à equipe médica determinar que o paciente se encontra em condições clínicas para desospitalização e para se beneficiar da continuidade do tratamento em domicílio, uma vez que o home care pode trazer muitas vantagens, tais como:

O Home Care é sempre definido caso a caso – há pacientes que fazem somente sessões de fisioterapia ou necessitam de aplicação de medicamentos, por exemplo, enquanto outros passam por internações domiciliares com estrutura complexa. Mas existe um aspecto comum a todos eles: a desospitalização.

O objetivo é garantir que a continuidade da assistência em casa seja compatível com as necessidades do paciente e que tudo aconteça com qualidade e segurança.

Usualmente, uma avaliação inicial feita ainda no hospital detecta as demandas específicas de quem está apto a ser transferido para o Home Care. A partir daí, elabora-se uma programação de atendimento, que prevê materiais, medicação, equipamentos ou equipe multidisciplinar indispensáveis à cada situação.

O Plano de Atendimento Domiciliar (PAD) precisa ser definido com cuidado, garantindo que todas as necessidades técnicas sejam providas. Se desenhado de forma inadequada, a assistência será insuficiente, havendo necessidade de ajustes posteriores e podendo gerar quebra de confiança.

O processo de desospitalização envolve estes quatro pilares: hospital, operadora de saúde, empresa de Home Care e família do paciente. Tudo deve acontecer de forma integrada. Nenhum dos quatro consegue fazer nada sem participação dos demais. Todos precisam participar juntos e ativamente.

A seguir, você vai ler sobre os cinco passos da desospitalização:

  1. Definição de que o paciente está apto para o Home Care
  2. Avaliação do quadro clínico do paciente pela equipe de Home Care
  3. Definição do Plano de Atenção Domiciliar (PAD)
  4. Envio do relatório à operadora de saúde*
  5. Montagem da estrutura na casa do paciente

*Em casos custeados pela operadora de saúde

ETAPA 1: Definição de que o paciente está apto para o Home Care

  1. O processo começa com o pedido de desospitalização feito pelo médico assistente, que o envia à direção do hospital em que o paciente está internado.
  2. Em seguida, a operadora encaminha o caso para uma empresa de atenção domiciliar de sua rede credenciada, como a Simple Care.

Tudo tem início quando o médico – seja o particular, o assistente ou o que está no hospital – identifica que o paciente tem condição de finalizar o tratamento em casa.

E quais são os critérios para definir se o paciente está apto a passar ao Home Care? São estes:

Quais são as principais indicações para o atendimento domiciliar?

Para ir para o Home Care, o paciente deve estar clinicamente estável, sem a necessidade de cuidados intensivos e intervenções médicas constantes. Por exemplo: não pode estar em uso de medicações contínuas de suporte à vida, de parâmetros ventilatórios elevados ou ter a necessidade de coleta diária de exames de sangue.

E vale o mesmo para um paciente de menor complexidade, que vai apenas terminar um antibiótico em casa. Para levá-lo para o Home Care, ele tem de estar com uma curva de febre descendente, num processo de melhora. Do contrário, corre-se o risco de o paciente entrar num quadro de deterioração clínica após ser levado para o Atendimento Domiciliar.

ETAPA 2: Avaliação do paciente pela equipe de Home Care

Ao receber o comunicado da operadora de saúde, a empresa de Home Care analisa o pedido e faz contato com o hospital. Essa avaliação é feita por enfermeiros treinados, que analisam o prontuário e discutem o caso com a equipe assistencial para entender cinco pontos:

  1. Como o paciente estava antes da hospitalização.
  2. O que o levou a ser internado.
  3. O que aconteceu durante a hospitalização.
  4. Como o paciente estava no momento da indicação para o Home Care.
  5. Quais as necessidades de agora em diante.

Infelizmente, o Home Care não é amplamente conhecido, em detalhes, pelas equipes dos hospitais. Muitas delas não sabem que tipo de atendimento pode ser feito na casa do paciente. É comum que possamos, no Home Care, fazer muito mais coisas do que a equipe do hospital imagina.

Tudo é avaliado: prescrição, prontuário, dispositivos que deverão ser mantidos em casa. Verificamos se o paciente tem traqueostomia, gastrostomia, equipamento venoso, bomba de infusão, respirador mecânico, ou seja, tudo que ele está usando no hospital e que vai continuar usando no Home Care. Esta etapa é uma das mais críticas de todo o processo.

ETAPA 3: Definição do plano de atendimento domiciliar

O Plano de Atendimento Domiciliar (PAD) considera quatro aspectos centrais, que contemplam na íntegra as necessidades técnicas do Home Care:

Com relação a esse último item, levam-se em conta estes critérios:

ETAPA 4: Envio do relatório à operadora de saúde

Nesta etapa, a equipe de Home Care envia o relatório com o PAD à operadora de saúde. O documento traz tudo que foi alinhado com a equipe médica e o que foi conversado com a família do paciente – inclusive com sinalização das expectativas dessa família.

A operadora, então, depois de analisar o relatório, faz contato com a empresa de Home Care para informar, detalhadamente, sobre quais procedimentos foram autorizados.

Se a família estiver de acordo com o que foi autorizado, segue-se para o processo de implantação do PAD. Confirma-se com a equipe multiprofissional envolvida o dia e horário da alta e início dos atendimentos, enviam-se os insumos e equipamentos necessários, e agenda-se ambulância para remoção hospitalar quando há indicação.

ETAPA 5: Montagem da estrutura na casa do paciente

A montagem do domicílio prevê envio dos materiais, medicamentos e equipamentos autorizados pela operadora. Acontece desta forma tanto para o atendimento mais simples, como aplicações de antibióticos endovenosos, até os mais complexos, como a internação domiciliar com suporte de ventilação mecânica, por exemplo.

Há pacientes que não precisam de nenhuma montagem, pois vão fazer apenas sessões de fisioterapia. É o caso, por exemplo, de um idoso que teve fratura de fêmur, fez cirurgia, ficou internado por um período e agora já pode voltar para casa. Ele não necessita de medicamentos ou equipamentos – só de um fisioterapeuta em domicílio.

Outro exemplo de menor complexidade é o caso de paciente que recebe alta para término de tratamento de pneumonia com antibiótico em domicílio. Além do profissional de enfermagem, será necessário envio de suporte de soro, medicamentos e materiais para aplicação.

Mas há quadros mais complexos, como o de pacientes que estão internados no hospital com ventilação mecânica e agora vão passar por desospitalização. É preciso enviar para a casa todos os equipamentos, materiais e mobiliários necessários para o atendimento de alta complexidade, como cama hospitalar, ventilador mecânico, cilindro de oxigênio, aspirador, bomba de infusão, sondas etc.

Não adianta o paciente chegar em casa e o aspirador estar dentro do armário. Por isso, um profissional é enviado para auxiliar a família a arrumar tudo: observar as tomadas que vão ser usadas, organizar os medicamentos. O Atendimento Domiciliar é muito amplo e existe uma série de etapas que devem ser cumpridas antes da chegada do paciente em domicílio, para que se possa garantir a segurança no atendimento.